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Domingo, 22 de Março de 2009
ERA UMA VEZ PARAÍSO...
Paraíso, escrita por Benedito Ruy Barbosa,
voltou à telinha da Globo

E a obra voltou numa tentativa da emissora de recuperar a audiência das 6 da noite, que não tem ultrapassado os 20 pontos. A produção rural, exibida no mesmo horário em 1982, foi em cores, teve 184 capítulos e fez bonito. O enredo, puro e ingênuo, conta-nos 
“a história de amor entre o jovem peão Zeca(vivido pelo ator Kadu Moliterno), conhecido como ‘o filho do diabo’ (por seu pai, o Coronel Eleotério, possuir uma garrafa com um diabinho dentro), e Maria Rita(Cristina Mullins), a Santinha, assim conhecida por lhe atribuírem milagres quando criança e cuja mãe, a beata Mariana(Eloísa Mafalda), faz de tudo para que seja freira. Zeca sofre um acidente num concurso de peões de boiadeiro, ficando entrevado numa cama, e Maria Rita consegue, mesmo reclusa em seu quarto, através de orações, salvar a vida do rapaz. Devido a mais este milagre, Mariana a leva para o convento, e Maria Rita parece realizar o desejo da mãe; Zeca, no entanto, grato e apaixonado, rapta a futura freira.”
Os atores ERIBERTO LEÃO e NATHÁLIA DILL têm a difícil tarefa de chegarem à convincente e aplaudida interpretação de KADU e CRISTINA; VANESSA GIÁCOMO, por sua vez, fica com a dura missão de atuar tão bem quanto a respeitada atriz ZAIRA ZAMBELLI (foto), que foi Rosinha, chegando a ser a forte rival de Maria Rita no amor de Zeca. Talvez uma prova leve, uma vez que o trio tem talento demonstrado.
Com 2.000 m2, criou-se no Projac a fictícia cidade de Paraíso, com todas as suas construções, exceto as fazendas de Antero, pai de Maria Rita, e Eleutério. As locações destas também ficam no Rio, mas em Conservatória e Miguel Pereira – esta última, a terra natal do conceituado advogado do Inmetro MARCO AURÉLIO DONATTE LIOI (foto), filho do saudoso ROBERTO MAZINHO, o Leão de Governador Portela, um sinônimo de luta em Miguel Pereira, para a qual, como político, doou-se guerreiramente.
Conflitos e emoções não faltaram na novela-mãe, a primeira contemporânea das 6 depois do período de adaptações literárias. Seu tema de abertura era a canção Promessas Demais, por Ney Matogrosso.
SÉRGIO REIS deu vida ao peão cantador Diogo, papel hoje atribuído ao cantor DANIEL; o nome da personagem mudou para “Zé Camilo” – homenagem ao pai de Daniel, na intenção de que o público não confundisse a personagem deste com o também Diogo, vivido pelo mesmo cantor, no filme O Menino da Porteira.
Como o remake reestreou 27 anos após o original, o roteiro ganhou adaptações, por exemplo: em 1982, a população acreditava que o diabinho que o Coronel mantinha na garrafa lhe dava incríveis poderes; em 2009, o povo acredita que o diabinho trouxe mau-agouro, pois a mãe de Zeca morreu de parto assim que o diabinho chegou na casa. Em 1982, o prefeito, Norberto (SÉRGIO BRITTO), era casado com a doce Aurora (TEREZA RACHEL) e tinham uma filha, Maria Rosa (ELIZÂNGELA), professora formada, o melhor “partido” na cidade; já em 2009, Aurora (BIA SEIDL) vive reclamando da ausência do esposo, e Maria Rosa (FERNANDA PAES LEME), independente, moderna, tenta convencer a mãe da importância do pai administrar a cidade. Maria Rosa neste novo século, portanto, é moderna e não mais a típica professora interiorana. A trama sofreu mais mudanças, porém quase que imperceptíveis. 
Ainda diferentemente do original, o qual “retratava o universo dos boiadeiros, com rodas, violeiros, tudo organizado por Diogo”, a atualização “traz enfoques políticos, aborda a questão agrária, alerta sobre desmatamento e mostra o progresso chegando à pequena e pacata cidade que intitula a obra. As histórias são entremeadas por romances, quermesses, fofocas das moças paraisenses e ‘causos’ que aumentam a cada vez que são contados.”
E lembram-se do final? Maria Rita, antes de ir ao altar para dizer sim ao noivo Otávio(MÁRIO CARDOSO), “cai na real”, monta num cavalo e foge ante os olhares atônitos dos convidados, para encontrar-se com Zeca. Distante dali, ela passa ao cavalo dele e vão embora, a fim de serem felizes para sempre.
Será que teremos o mesmo desfecho? Espero, ao menos, pois foi um dos mais belos já gravados.
Enfim, Paraíso – a originalíssima – é sucesso! Torçamos para que a atual Paraíso faça jus ao folhetim que lhe possibilitou retornar.
CONHEÇA A ABERTURA DA
NOVELA ORIGINAL:
http://www.youtube.com/watch?v=0Zf44iCEG-M
ASSISTA AO FINAL EMOCIONANTE QUE FOI AO AR EM 1983:
http://www.youtube.com/watch?v=9KPp-XQjVes&feature=related

Fotos:
sites MULTIPLY
e
TERRA DIVERSÃO.
OUTROS TEXTOS MEUS,
NO CADERNO R MULHER:
http://www.cadernor.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=438:mulher-solidariedade&catid=44:izan-
Izan Sant
Professor de Português e escritor, é um recifense que busca falar sobre nossos astros e estrelas na Arte, bem como sobre as vidas e mortes severinas e monalisas (por que não?) do ser humano.
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